Sir Arthur Conan Doyle
Poucas pessoas sabem, em especial nas lides espíritas, que Sir Arthur ConanDoyle, médico inglês, novelista, criador de Sherlock Holmes e Watson,seu criado, era médium, espírita, mas não exatamente kardecista, poisnaquela época a comunicação entre os povos era difícil. Mas tudo indicaque ele havia lido e estudado todos os cinco livros do mestre lionês,haja vista que falam a mesma língua, os mesmos termos.
O títulode “Sir” foi-lhe dado pelo governo britânico em reconhecimento aosserviços prestados durante a Guerra dos Boers, na África, e seusestudos científicos. Mais tarde recebeu o título de Doutor em Leis.
Nasceuem 22 de maio de 1859, em Edimburgo, Escócia, e desencarnou em 7 dejulho de 1930 (71 anos), em sua residência de Windleshan, Sussex.
Estudouna Alemanha, diplomou-se em Medicina, em 1881, em sua terra, e sedoutorou em 1885. Clinicou por algum tempo, viajando depois pelasregiões árticas e costa ocidental da África, sempre pesquisando,cientificamente, os fenômenos espíritas.
Quando ainda incrédulo,freqüentava sessões espíritas para conhecer, analisar, estudar melhoros fenômenos que ele e outros cientistas não conseguiam explicar,entender. Lia todos os livros espiritualistas e científicos de seuscolegas britânicos e americanos, que estudavam os fenômenos. Por linhasparalelas, chegou às mesmas conclusões que Kardec.
Quandoconseguiu provar, cientificamente, os fenômenos, falando a mesma línguade conhecimento de Kardec, não se preocupava com os demais incrédulos enem em provar que os Espíritos e os fenômenos existiam. Apenas pediaaos interlocutores que provassem que não existiam. Não iria perdertempo provando o que o outro não queria ou tinha dificuldade emacreditar.
Tinha prazer em freqüentar sessões psicofônicas epsicográficas, chegando a viajar para pesquisar a autenticidade dascomunicações.
Usando o mesmo método de Kardec, escrevia cartas avárias cidades, Estados, países, para que mandassem respostas às suasdúvidas, perguntadas aos Espíritos e médiuns da época. Usava métodoscientíficos até em suas obras literárias, em especial as de seupersonagem Sherlock Holmes. Muitas foram levadas ao teatro e cinema, eoutras tantas a novelas de rádio na América do Norte.
Escreveuem março de 1918 o livro A Nova Revelação, que foi traduzido porGuillon Ribeiro, da sexta edição inglesa, e publicado pela FEB. Usandoseus conhecimentos científicos e filosóficos, dividiu o livro em:
- Pesquisas
- Revelação
- Vida Futura
- Problemas e limitações
- Documentos suplementares
- A Outra Vida
- Escrita Automática (psicografia)
O abrigo de Cheriton, onde estuda ações de Espíritos poltergeisters queusavam a mediunidade de efeitos físicos do dono da propriedade,amparado por uma plêiade de cientistas da Physical Society, queestudava os fenômenos à luz da Ciência.
Dedicou a última partede sua vida à difusão do Espiritismo, do qual se tornou adepto deprofunda convicção e um de seus expoentes mais entusiastas.
O mundo que o admirava por seu talento literário recebia-o agora comopregoeiro da Nova Revelação, semeador incansável e destemido dasverdades da sobrevivência da alma e sua comunicação com os chamados“vivos”.
Até o fim de seus dias foi presidente da LondonSpiritualist Alliance Ltd., colaborador do jornal Light (Luz) e deoutros periódicos espíritas.
Afirmou certa vez: “Empenho minhahonra em como o Espiritismo é uma verdade e sei que o Espiritismo é infinitamente mais importante que a literatura, as artes, a política;mais importante, com efeito, do que tudo no Mundo”.
A Livraria Psíquica, em Londres, de sua propriedade, foi, durante muitos anos, oponto de reunião dos mais famosos espiritistas da Inglaterra.
Alémde A Nova Revelação (1918), publicou A Mensagem Vital e História doEspiritualismo – 2 volumes, ambas em 1926, e uma novela espiritualistaem 1929, O país da bruma.
Em 1922, publica The wandering of aSpiritualist (Vagueações de um espiritualista), onde de clarairrefutavelmente provada a comunicação com os “mortos”. Mas, na realidade, afirmou-se um apóstolo das modernas idéias espiritualistasatravés de inúmeras conferências e preleções orais, sempre acompanhadode sua bem-amada esposa, que o amparava em seu árduo labor depropagandista, correndo quase todos os países da Europa, viajando pelos Estados Unidos. Apoiado na autenticidade dos fatos espíritas, iluminoue consolou, com seu verbo persuasivo e cheio de lógica, milhares deouvintes de todas as categorias sociais, revelando-se pregador excepcional da palavra Divina. Por tudo isto foi chamado o “São Paulodo Espiritismo”.
Em 1928, durante o Congresso Espirita Internacional, realizado em Londres, sob sua presidência, reafirmou quea Doutrina dos Espíritos tem seu máximo valor no aspecto religioso ou moral, dizendo: “... considero muito importante pôr em evidência, cadavez mais, o lado religioso do Espiritismo”.
Os ingleses, americanos e alguns outros povos levavam o Espiritismo (ou Espiritualismo) para o lado religioso e não para o aspecto científico –doutrinário – filosófico que Kardec levava. Haja vista que naquele tempo os médiuns eram remunerados por produção, daí tantas fraudes. E até hoje, no Reino Unido, existem médiuns que cobram para dar passes,consultas.
Conta-se que uma vez, para provar aos colegas deAcademia o que dizia, colocou a mão sobre uma cadeira e pediu que anotassem e fizessem um tipo de auditoria. Disse o nome e endereço da loja que vendeu a cadeira, da fábrica, da serraria, da mata em que foi cortado, nome da fazenda e do dono. Cientificamente foram atrás das informações, e constatou-se serem verdadeiras.
Sir Oliver Lodge,gigante do Espiritismo, sábio, físico, disse em despedida: “Nosso valoroso batalhador cedo estará continuando sua campanha do outro lado, com mais sabedoria e conhecimento”.
O reverendo C. DraytonThomas, assim se expressou nos funerais: “Ele não está morto. Deus o abençoe pela bela vida que viveu, cheia de desprendimento: patrocinandosempre com coragem a causa dos que sofriam injustiças, bem como levando socorro, sempre rápido, aos necessitados. Não tinha um só pensamento egoísta. Nunca homem algum seguiu mais dignamente as pegadas doMestre”.
Gilberto Simioni
Enviado por email de Berenice Valadares Serafim









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